terça-feira, 5 de julho de 2016

“Viver e não fingir que se vive”

Beato Pier Giorgio Frassati

Fonte: Zenit


Os que pensam que os santos são pessoas tímidas e solitárias, que depreciam esta vida só pensando na outra, ficarão surpreendidos diante da figura do Beato Pier Giorgio Frassati, cuja festa celebramos ontem.

Pier Giorgio nasceu em Turim, Itália, no dia 6 de abril de 1901. Filho de Adelaide, uma pintora; e de Alfredo, um agnóstico. Seu pai foi o fundador e diretor do jornal liberal “La Stampa”, e era considerado um homem influente entre os políticos italianos, desempenhando também os cargos de Senador e Embaixador da Itália na Alemanha.

O jovem Pier Giorgio, frequentou uma escola dirigida pelos Jesuítas. Ali se associou a Congregação Mariana e ao Apostolado da Oração. Chegando a receber Jesus Eucarístico todos os dias, desenvolvendo assim uma profunda vida espiritual, e que sempre compartilhava desta vida com os seus amigos.

Quando fez 17 anos ingressou na Sociedade São Vicente de Paulo, e passou a dedicar a maior parte do seu tempo livre ao serviço aos mais necessitados, cuidando de órfãos e dos soldados da primeira guerra mundial que voltavam para suas casas. Mas sem perder sua essência de jovem.

Frassati decidiu cursar a universidade de engenharia mineral pela universidade de Politécnica de Turim. Com o objetivo de servir melhor a Cristo entre os mineiros, como confidencio isso a um amigo. Ele amava os estudos e se dedicavam muito a eles.

Sem embargos, começa então sua vida ativa e fervorosa nas atividades sociais e políticas. Em 1919 se associou a Federação de Estudante Católicos e a Ação Católica. Diferenciando-se das ideias políticas de seu pai. Frassati chegou a ser membro verdadeiramente ativo no Partido Popular, que promovia os ensinamentos da Igreja Católica embasados nos princípios “Rerum Novarum” (uma Carta Encíclica do Papa Leão XIII de 1891).

Foi dele a ideia de unir a Federação de Estudantes Católicos à Organização Católica de Trabalhadores. “A caridade não basta!” Dizia ele. “Necessitamos de uma reforma social”, costumava sempre dizer.

Para Frassati, os pobres e seus sofrimentos eram seus donos, seus patrões. E Frassati foi um verdadeiro servo. Em Pior Giorgio a caridade não consistia só entregar algo para alguém, mas antes, em se entregar a si mesmo por inteiro. E essa atitude em Frassati era sustentada por Jesus e Maria. Conta-se que Pier Giorgio Frassati amava fazer adorações noturnas, meditando o hino da caridade de São Paulo e as palavras de Santa Catarina que ardiam seu coração.

Costumava ir ao teatro, à opera e aos museus; amava o esporte, a arte, a música e proclamava versos inteiros de Dante…

Enfim, em Pior Giorgio Frassati vemos que viver é realmente uma arte. Não basta apenas nascer, crescer e morrer. Não basta namorar, noivar e casar, ou entrar no seminário, ser diácono e, depois, padre. Ser político, empresário, grande atleta, etc.

Viver consiste em buscar ser o que somos.

Autenticidade de sermos o que somos, penso ser umas das virtudes que tanto nos falta enquanto jovens de hoje. Onde tudo é moda!

Mas quem sou eu? Já parou para se perguntar nisso?

Considero esta pergunta a pergunta da vida!

Já fiz a experiência de fazer esta pergunta para diversas pessoas, entre adolescentes, jovens, adultos, idosos; de classe social e estágios vocacionais diferentes; e até religiões distintas. Muitos não souberam, outros se perderam em se descreverem, mas poucos com segurança, clareza e propriedade, conseguiram me responder.

Mas o problema maior foi quando eu reconheci que eu mesma, não sabia quem eu era. Entrei em desespero total…

Gosto de dizer que passei uma parte da minha vida não fazendo ideia de quem eu era. Outra parte, passei, pensando ser uma pessoa. Na outra, passei pensando ser o que os outros diziam de mim. Até, que finalmente descobri que Santa Teresinha já dizia: “Eu sou o que Deus pensa de mim”.

E o que Deus pensa de mim? Essa é uma tarefa que exige-se autoconhecimento, mas, especialmente, intimidade com Ele. Só Ele pode revelar no íntimo de nós mesmos quem somos, porque somos e para que somos.

Frassati não só descobriu isso, mas como viveu isso com maestria.

Frassati não fingiu que viveu. Ele de fato viveu.

Frassati não ficou parado vendo sua vida passar sem nela fazer parte, se aventurar, sendo nela luz e sal no mundo.

A santidade é possível para todos!

Pedimos a sua intercessão neste dia de hoje para cada um nós. Que encontremos essa autenticidade de vivermos o que somos… Para sermos no mundo aquilo que Deus pensa de nós. E isso basta-nos!


Beato Pier Giorgio Frassati, rogue por nós!

Por Fernada Mendes de Souza

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